No dia 16 de outubro de 1927, o paleontólogo sueco Birgir Bohlin descobriu, na caverna de Zhoukoudian, perto de Pequim, um molar esquerdo muito bem preservado. Após um estudo exaustivo e a descoberta posterior de mais restos, os especialistas classificaram-nos como pertencentes a um antepassado do Homo sapiens. Mais concretamente, a uma subespécie do Homo erectus, à qual deram o nome de Homem de Pequim.
Características do Homem de Pequim
Como referido, o Homem de Pequim é um exemplo de Homo erectus. Os achados datam de há aproximadamente 500 000 anos, embora estudos mais recentes sugiram que possam ter entre 680 000 e 780 000 anos.
Como era o Homem de Pequim?
O Homem de Pequim apresentava várias semelhanças com os seres humanos modernos, mas também possuía algumas diferenças. Segundo a Encyclopedia Britannica:
O Homem de Pequim caracterizava-se por uma capacidade craniana média de cerca de 1 000 centímetros cúbicos, embora alguns crânios individuais atingissem aproximadamente 1 300 centímetros cúbicos, quase o tamanho do cérebro dos seres humanos modernos.
O Homem de Pequim possuía um crânio achatado de perfil, uma testa pequena, uma saliência na parte superior da cabeça onde se fixavam os poderosos músculos da mandíbula, ossos cranianos muito espessos, um toro occipital — uma protuberância ou projeção pronunciada do osso occipital na parte posterior do crânio —, um palato grande e uma mandíbula robusta sem queixo.
Os dentes eram essencialmente semelhantes aos modernos, embora os caninos e os molares fossem bastante grandes e o esmalte dos molares apresentasse frequentemente rugosidades.
Os ossos dos membros eram indistinguíveis dos dos seres humanos modernos.
O Homem de Pequim é posterior ao Homem de Java e é considerado mais evoluído por apresentar uma maior capacidade craniana, uma testa mais desenvolvida e caninos que não se sobrepunham.
Nas cavernas de Zhoukoudian, atualmente classificadas como Património Mundial, também foram encontrados indícios de que o Homem de Pequim conhecia o fogo e utilizava ferramentas.
Alguns paleoantropólogos chineses defenderam no passado que os chineses modernos, e possivelmente outros grupos étnicos, descendiam do Homem de Pequim. No entanto, as investigações genéticas não apoiam esta hipótese.
Um estudo realizado pelo geneticista chinês Jin Li demonstrou que a diversidade genética dos chineses modernos está integrada na população mundial. Isto indica que os chineses descendem de populações originárias de África, tal como todos os outros seres humanos modernos.
Infelizmente, os fósseis originais perderam-se durante a Segunda Guerra Mundial, conservando-se apenas os seus moldes. Escavações posteriores permitiram encontrar novos restos.